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Formação para professores reforça a valorização da cultura e história indígena

Estudante da etnia Xavante participou da abertura relatando sua história em uma escola estadual urbana
Adilson Rosa | Seduc MT

Adilson Rosa/Seduc MT
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A Secretaria de Educação, Esporte e Lazer (Seduc) e o Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica (Cefapro) polo Cuiabá realizou, na tarde desta quarta-feira (13.06), a abertura da formação para professores “Lei 11.645/08: a constituição da escola como fronteira interétnica e intercultural”. A cerimônia contou com a participação de um antropólogo, um aluno da etnia Xavante, além professores da rede estadual de ensino.

Com carga horária de 40 horas, o curso tem como público alvo professores de todas as áreas de conhecimento.

Segundo a professora formadora Adriana Mezeir Almeida Duarte, a proposta da formação nasceu após um levantamento realizado nas escolas estaduais de Cuiabá e Várzea Grande, que apontou um número considerável de estudantes indígenas nas escolas urbanas.

“O educador quer que o aluno indígena tenha o mesmo resultado do não indígena. Para isso, ele precisa lidar com as questões culturais e trabalhar esse estudante em seu contexto no quesito diferencial e bilíngue”, frisa.

Conforme o coordenador de Formação e Avaliação da Seduc, Gino Buzato, a expectativa para o curso é a melhor possível. “É necessário trabalhar a humanização dos não indígenas em relação aos indígenas, que são cidadãos que integram a nossa sociedade, portanto, cidadão de direitos iguais”.

Estudante indígena

O estudante Ronaldo, da etnia Xavante, matriculado no Ensino Médio na EE Marlene Marques de Barros, no Jardim Imperial, em Várzea Grande, é um exemplo dessa situação. Ele tem dificuldade com a língua portuguesa e o primo, que também estuda na unidade escolar, consegue apenas se expressar na língua materna.

Ronaldo foi convidado pela professora de biologia dele, Luciana Ferreira, que também participa do curso. “Ele vai relatar para os participantes a diferença entre a escola indígena, onde estudava na aldeia em Nova Xavantina (a 645 quilômetros a Leste de Cuiabá) e a escola urbana”, destaca.

Luciana diz que a escola ganha em ter essa convivência com um indígena porque ele trouxe a vivência dele e faz com que a escola reflita em cima de um exemplo prático. A professora de língua portuguesa do estudante, Lurdes Pasini, também participa da formação.

Um pouco tímido, o jovem explica que o relacionamento com os colegas na escola é natural, mas diz ser diferente de onde morava.

Um dos participantes mais aguardados é o professor doutor Aloir Pacini, do Departamento de Antropologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). 

Ele ressalta que a sociedade, muitas vezes, vê os indígenas como história do passado, mas estão presentes no nosso cotidiano. “Vou usar o exemplo dos Chiquitanos e Rikbaktsa, destacar a lei 11.645/08, para que os indígenas sejam respeitados nas escolas”, frisa.

Quem já trabalha na desconstrução do estereótipo do indígena é a professora Roseana Márcia, da EE Leovegildo de Melo, no CPA. “Temos que valorizá-los, pois os indígenas têm uma cultura muito rica. Na escola, temos alunos indígenas e a valorização é uma forma de integração”.





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