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Escola transforma alunos em protagonistas e se torna modelo

Uma série de mudanças na metodologia impactou na relação dos alunos, educadores e comunidade escolar em geral com a unidade.
Gustavo Nascimento e Junior Silgueiro | Seduc-MT

Junior Silgueiro/Seduc-MT
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“Antes eu não era protagonista nem da escola e nem da minha vida, hoje quero fazer, não, eu vou fazer faculdade de música”. Este é o depoimento de Ângela Maria, estudante de 16 anos que enxerga novas perspectivas e está sonhando com um futuro, depois da mudança projetada na escola. 

Em pouco mais de um ano como Escola Plena, a unidade estadual Rafael Rueda, no bairro Pedra 90, região periférica de Cuiabá, melhorou todos os indicadores de ensino, sanou os problemas com a violência e transformou a vida de alunos e professores. A escola adotou o modelo de Ensino em Tempo Integral e deixou de ser uma das mais problemáticas da rede estadual de educação para se tornar referência de ensino e aprendizagem.

Até pouco tempo atrás, a Rafael Rueda era conhecida como uma das mais difíceis de toda rede estadual de educação. A unidade tinha altos índices de violência em contraste com os baixíssimos índices de ensino.

Paredes pichadas com desenhos de facções criminosas e um histórico de ocorrências, que ia de brigas a tráfico de drogas na porta da unidade, fazia com que ela contasse com um elevado número de evasão e reprovação.

“Eu estudei aqui, meu irmão trabalhou aqui e desde a sua criação a escola sempre foi vista como um dos patinhos feios da cidade. Ninguém queria estudar ou trabalhar na Rueda e muita gente achava que essa realidade jamais mudaria”, afirmou Rogério Gomes, coordenador do projeto Escolas Plenas.

“Aqui tinha muita briga, até mesmo com os alunos. Desde o tempo que eu estudava aqui era assim. Os alunos que queriam estudar, ou mudavam de escola ou tinham que aprender a conviver com a baderna”, afirmou Valdete Marques, que hoje é merendeira da escola.

Histórico e as mudanças

No ano de 2016, a unidade chegou a registrar 50 atos infracionais, como brigas, casos de bullying, entre outros crimes. Cinco de cada 10 alunos que se matriculavam lá, não concluíam o ano letivo e o índice de reprovação era de 44%.

Em 2017, a Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc) transformou a unidade em Escola Plena, ofertando ensino em tempo integral, três refeições diárias e disciplinas optativas. Uma série de mudanças na metodologia impactou na relação dos alunos, educadores e comunidade escolar em geral com a unidade.

As mudanças surtiram efeitos e os principais indicadores de aprendizagem se reverteram completamente. A aprovação subiu para 92%, a evasão reduziu para 8%, os índices infracionais e o abandono caíram para zero e todos os alunos se inscreveram para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“Hoje, nós já somos referência aqui no bairro. É claro que ainda há preconceito pelo histórico, mas é muito bom ver o quanto este trabalho já rendeu frutos”, disse Silmara Decanti, coordenadora de Ciências Humanas da Escola Rafael Rueda.

Protagonismo

Apesar da melhoria nos indicadores de ensino, a maior mudança que a Escola Plena realizou foi na vida dos alunos. O projeto conta com toda uma metodologia de acolhimento dos alunos desde o primeiro dia de aula. Dinâmicas e processos que levam os jovens a se transformar em peças fundamentais na tomada de decisões na escola. Eles chegam a criar um contrato de convivência para estabelecer as normas e regras da escola. Um dos principais objetivos é levar os jovens a pensarem na vida além dos muros da unidade.

As Escolas Plenas possuem a disciplina Projeto de Vida, que faz com que os garotos e garotas planejem o futuro na vida acadêmica, profissional e pessoal.

Esse planejamento faz toda a diferença, como conta a jovem Ângela Maria, de 16 anos, que atualmente está no 3º ano do Ensino Médio. Ela afirma que há pouco mais de um ano, a sua própria realidade era muito diferente. Sem motivação para ir à escola, trabalhar ou estudar, ela também não tinha sonhos.

“Eu não era protagonista nem da escola e nem da minha vida. Eu estava no segundo ano e me perguntava: o que vou fazer? O que eu quero? Será que eu consigo? Hoje não, hoje eu sei o que eu quero”.

Segundo ela, os professores tiveram papel fundamental nessa transformação e agora, além de sonhar ela sabe que rumo tomar. “Meu nome foi inspirado na Ângela Maria, uma das maiores cantoras do Brasil e cara, eu amo cantar, amo cativar os outros com a minha voz, mas não entendia isso. Então, estava bem na minha frente, mas eu não via”.

Ângela diz com a certeza de que usará a música para fazer a diferença na vida dos outros e enquanto canta trechos de Rihanna, uma das suas artistas favoritas, ela afirma: “Hoje eu quero, ou melhor, quero não, eu sei que vou conseguir, eu vou fazer faculdade de música!”.

 





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